Aos poucos, as pessoas vão chegando, sozinhas ou acompanhadas, começam-se a juntar naquele que, segundo João Mendes, 24 anos, “é o melhor bar de Coura”. Nem o frio nem a chuva ameaçam estragar a noite. Os diversos grupos de amigos dispersam-se entre o bar, a rua por onde não passa trânsito e o salão de jogos, mesmo em frente ao bar. Para já, está tudo muito calmo... “Ainda é cedo, é a hora do cafézinho e de pôr a conversa em dia”, explica Paulo Viana, proprietário do estabelecimento. “Hoje, espera-se mais gente do que o normal, sai sempre mais gente e o ânimo é sempre maior. É um dia de festa!”, acrescenta.
Quando confrontados com a questão de sair de Paredes de Coura para festejar noutro lado qualquer, a resposta é unânime. Filipe Ribas explica: “Não vale a pena sair daqui, aqui estou com os meus amigos e com pessoas que conheço; além disso, se sair não posso beber por ter de conduzir”. Cátia Viana partilha a mesma opinião de Filipe: “se sair não vou ver nem ter nada de novo, então porque não passar o ano no sitio onde estou sempre e onde me sinto bem?”.
Quem já está fora, por motivos académicos ou profissionais, aproveita estes dias para estar em Coura e matar saudades daqueles que normalmente estão longe. Esta noite não é excepção. “Eu estudo em Coimbra e nestes dias quero é estar em Coura, mesmo sendo Passagem de Ano”, conta Ana Lages.
Meia-noite. Nem o fogo de artifício afasta os mais entusiastas do bar. A Xapa’s está cheio, assim como a rua. Com o passar das horas, o amontoar de pessoas aumenta e o estreito corredor que liga a entrada do bar à pequena sala de estar enche-se. Os empurrões sucedem-se e a agitação cresce à medida que o consumo do álcool aumenta. A euforia está instalada.
Dentro do Xapa’s juntam-se as raparigas que, ao som da música, ocupam a sala, transformando-a numa pista de dança. Do outro lado do balcão, à entrada do bar, e espalhados pela rua estão aqueles que pouco ligam à música, juntam-se em pequenos grupos em animadas conversas. Os copos estão sempre cheios e, no meio de tanta conversa, nem notam aquilo que bebem. “Isto é ver quem carrega mais”, brinca Tiago Silva, 27 anos. ‘Carregar as baterias’ é a expressão usada por estes lados para definir o acto exagerado de beber, ou seja, embebedar-se. “Lá dentro é para as moças, elas que dancem os chiringuitos (música espanhola), que nós ficamos por aqui a falar e a ver o que se passa”, diz Carlos Manuel, 30 anos, entre um copo e outro.
A hora do fecho aproxima-se. Paulo Viana comenta que apenas tem licença ate às 3 da manhã. No entanto, ir para casa não é opção. “É passagem de ano, daqui ainda vamos bombar para a DK”, brinca Bruno Carradas.
Apesar de pequena e pacata, ainda existem algumas opções na vila para continuar a noite.
“Nós vamos para o Pub, ide lá ter”, grita de longe Tiago Silva para o resto do grupo que ficou para trás. Normalmente, o Pub é o principal destino daqueles que estiveram no Xapa’s. “O Pub é um sítio onde, além de podermos estar a vontade, a falar e a brincar, podemos comer. Se bem que hoje é mais para dançar e beber”, explica Tiago.
Os mais animados continuam a noite na DK, uma nova discoteca que abriu e que, segundo Bruno Carradas, “apesar de não ser nada de mais, dá sempre para continuar a noite de uma forma enérgica”.
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