terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Ano Novo: Ingleses aproveitam festas para ficarem bêbados

Grande maioria dos jovens celebra a passagem de ano em festas com amigos

Em Inglaterra, alguém que não esteja habituado a baixas temperaturas surpreende-se sempre que vai ao pub ou à discoteca, à noite. Apesar do frio intenso, as jovens vestem roupas mais adequadas ao Verão. Vestidos, saias e tops são os adereços preferidos. O frio não é obstáculo. Na passagem de ano, em Bristol, o cenário mantém-se. A equipa do ABC da Informação esteve hospedada no hotel Ibis de Bristol, entre os dias 31 de Dezembro de 2008 e 1 de Janeiro de 2009. Acompanhou de perto a passagem de ano num espaço de diversão nocturna e, antes disso, tentou perceber de que modo os britânicos mais novos e mais velhos encaram a o evento.

Escurece cedo, em Bristol. É assim em todo o país: por volta das cinco da tarde, já é noite. Daí que os ingleses tenham um modo de vida bastante diferente do dos portugueses: jantam cedo, saem cedo e vão embora cedo, porque os espaços nocturnos encerram quase todos às duas da manhã. Uma curta caminhada até ao restaurante pela cidade portuária encontra dezenas de jovens nas ruas. Roupas garridas, com feitios e desenhos estranhos, contrastam com algumas indumentárias mais sóbrias. Regra geral, ninguém tem mais de uma camisola e um leve casaco, apesar de se registarem temperaturas negativas. Os espaços de fast-food estão, pois, repletos de jovens.

Após o jantar (ou a espécie de), o ritual dita, tal como em Portugal, uma ida até ao café – neste caso, ao pub. Lá, já se encontram mais pessoas. Jovens, na sua maioria. Algumas raparigas, já com os copos, dançam em cima das mesas para gáudio dos colegas. A cerveja não é muito cara, comparando com os preços de Portugal. Daí que se perceba por que razão parecem os ingleses estar sempre alcoolizados.

O caminho para a discoteca está, agora sim, com bastantes sujeitos sentados. Alguns cambaleiam. "Do you have a smoke?", pergunta um deles, com calças justas e t-shirt dos Ramones por baixo de uma camisa aos quadrados. O ABC da Informação diz que não, e o rapaz pede a outra pessoa. Na Carling Academy, em Bristol, a fila é extensa. A revista minuciosa, como não se vê aqui: é necessário retirar todos os objectos dos bolsos e o casaco, como nos aeroportos. Com oferta de uns óculos 3D, o recinto não conhece grande animação por volta das 11 da noite.

Entram em cena DJs de música indie. Passam 10 minutos das 11, e a pista enche-se. É impossível conversar; qualquer tentativa de o fazer resulta em danos nos ouvidos do receptor, e em esforço elevado na voz do locutor. Cheira a bebidas alcoólicas e o chão, em alguns locais, está pegajoso. Faltam três minutos para a meia-noite quando o DJ passa Chelsea Dagger, dos Fratellis. O espaço vive o segundo clímax mais intenso da noite: ninguém se consegue mexer no meio da pista. Todos cantam e dançam: em conjunto, necessariamente, porque a massa humana é, neste momento, homogénea.

Na contagem decrescente para a meia-noite, o Big Ben é projectado nos ecrãs do espaço. Quando soa a primeira badalada, há confetis espalhados pelo ar, prateados, e todos se abraçam, enquanto a música é de novo retomada. A baixa temperatura lá fora contrasta claramente com a que se sente no meio da pista. No fundo, o resto da noite é semelhante à de qualquer discoteca portuguesa, com a excepção de terminar abruptamente às 4 da manhã, enquanto que em Portugal tal só aconteceria às 6, 7 da manhã.

As ruas estão cheias de gente. Contente. A equipa do ABC da Informação é de novo abordada; desta vez, pedem-nos um isqueiro. A resposta é, de novo, negativa. Ao pé do hotel, está montada uma enorme operação policial, com a brigada de intervenção e cães-polícia. Os distúrbios provocados por um grupo de jovens obrigou o hotel a chamar as autoridades, e ninguém entra no hotel sem ter o cartão do quarto. A confusão continua durante mais meia-hora. No quarto, a noite termina com um programa caseiro: a ver televisão.

Ingleses optam por estar junto dos amigos


O ABC da Informação esteve em Hereford, onde conversou com três pessoas sobre as suas escolhas para a passagem de ano.

Robert Black, de 56 anos, revelou ao ABC da Informação que, quando era mais novo, costumava passar o ano com os amigos, em grandes festas na casa de algum deles. No entanto, o inglês considera que actualmente, o que interessa é apanhar a bebedeira, em casa de amigos ou em discotecas.

Jim Ross, de 29 anos, entrevistado ao final de uma noite, confessou que apenas tem interesse em ficar alcoolizado.

Natalie Cardall, de 18 anos, desvendou que prefere ficar em casa a festejar com os amigos, e não gosta muito de sair para espaços de diversão, por estarem "muito cheios". Apesar disso, comunga a opinião geral: "estar com os amigos e apanhar a bebedeira" é o que mais gosta de fazer, independentemente da ocasião.


Ouça o podcast acima. As entrevistas seguem a ordem acima exposta

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